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Fim da escala 6x1: o que muda e como as empresas devem se preparar?

Foto do escritor: BPIF
BPIF
há 3 horas
3 min de leitura

O fim da escala 6x1 deixou de ser apenas uma possibilidade em discussão no Congresso Nacional. Com a aprovação da PEC 221/2019 pelo Senado Federal, em 14 de outubro de 2026, empresas de diferentes setores precisam começar a avaliar como a redução da jornada de trabalho poderá afetar suas operações.


A mudança prevê dois dias de descanso remunerado por semana e a redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas, sem diminuição dos salários.


Para os trabalhadores, a proposta representa uma ampliação do período de descanso. Para as empresas, o desafio será reorganizar equipes, rever custos e manter o funcionamento das atividades sem comprometer a produtividade.


A PEC ainda aguarda promulgação, mas o planejamento já merece atenção, especialmente nos negócios que funcionam aos finais de semana ou dependem de equipes em turnos contínuos.



Como vai funcionar a nova jornada de trabalho?


A mudança não será aplicada de uma só vez. O texto aprovado estabelece um período de transição para permitir que empresas e trabalhadores se adaptem às novas condições.


A implementação ocorrerá em duas etapas:

  • 42 horas semanais: dois meses após a promulgação da Emenda Constitucional.

  • 40 horas semanais: um ano após a primeira redução, totalizando 14 meses de transição.


Além disso, a nova regra prevê dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos, e mantém a proteção dos salários.


Isso significa que a redução da jornada não poderá ser acompanhada de uma diminuição proporcional da remuneração dos empregados abrangidos pelas novas regras.


O que muda na prática para as empresas?


A principal preocupação não está apenas na redução das horas trabalhadas, mas na necessidade de manter as operações funcionando com uma disponibilidade menor de horas por empregado.


Pense em um supermercado que abre todos os dias, uma indústria com produção contínua ou uma empresa de serviços que depende de atendimento presencial. Mesmo com a redução da jornada, essas atividades precisarão continuar funcionando.


Nesse cenário, algumas empresas poderão precisar contratar novos profissionais. Outras terão condições de reorganizar suas equipes, investir em tecnologia ou melhorar a distribuição das tarefas.


Também será necessário revisar escalas, controles de ponto, bancos de horas e acordos coletivos, respeitando as condições previstas na nova legislação.


O impacto, portanto, não será igual para todos. Empresas com jornadas já próximas de 40 horas semanais poderão enfrentar uma adaptação menor do que aquelas que utilizam amplamente o modelo 6x1.


Como a redução da jornada pode afetar os custos?


A contratação de novos empregados é uma das possibilidades que mais preocupam os gestores, especialmente em setores com margens de lucro reduzidas.


Imagine uma empresa com 100 colaboradores e custo mensal médio de R$ 4.000,00 (quatro mil reais) por profissional.


Caso seja necessário contratar mais dez pessoas para manter a operação, o aumento estimado será de R$ 40.000,00 (quarenta mil reais) por mês, ou R$ 480.000,00 (quatrocentos e oitenta mil reais) em doze meses.


Esse é apenas um exemplo hipotético. O custo real dependerá da estrutura da empresa, dos encargos, benefícios e das alternativas disponíveis para reorganizar o trabalho.


Por isso, antes de concluir que a redução da jornada exigirá novas contratações, é importante analisar a produtividade atual e identificar onde existem oportunidades de melhoria.


Como preparar sua empresa para a transição?


O primeiro passo é conhecer a própria operação. Quantas horas são necessárias para manter cada setor funcionando? Quais atividades dependem de presença física? Onde existem períodos de maior demanda?


Com essas informações, a empresa consegue avaliar diferentes cenários e identificar os ajustes mais adequados.


A revisão dos processos internos também merece atenção. Atividades repetitivas, controles manuais e tarefas que poderiam ser automatizadas acabam consumindo horas que poderão fazer diferença na nova organização das equipes.


Outro cuidado importante está na revisão dos instrumentos coletivos. Acordos e convenções que disciplinam jornadas, folgas e compensações precisarão ser avaliados à luz das novas regras, evitando conflitos e possíveis passivos trabalhistas.


Por fim, vale simular o impacto financeiro da mudança. Projetar diferentes cenários de contratação, produtividade e custos ajuda a empresa a tomar decisões com mais segurança, sem esperar que os novos prazos estejam próximos do vencimento.


Planejamento trabalhista e financeiro devem caminhar juntos


A aprovação da PEC 221/2019 representa uma mudança importante nas relações de trabalho, mas seus efeitos não ficarão restritos ao departamento de recursos humanos.


A redução da jornada poderá influenciar o orçamento, a precificação dos serviços, a organização dos contratos e até as decisões de investimento das empresas.


É justamente por isso que a adaptação precisa ser pensada de maneira integrada, considerando tanto o cumprimento das obrigações trabalhistas quanto a sustentabilidade financeira do negócio.


O BPIF Advogados Associados está à disposição para auxiliar empresas na avaliação dos impactos da nova jornada, na revisão de escalas e instrumentos coletivos e no planejamento jurídico necessário para essa transição.


Antecipar essa análise permite identificar riscos, avaliar alternativas e preparar a operação com maior segurança para as mudanças que estão por vir.

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